design anónimo

Pertinência do Tema

Posted in desenvolvimento by Ana Afonso on Março 6, 2009

Não se pode apenas depositar fé no poder de desenvolvimento da tecnologia, ou acreditar que será a chave do progresso (Victor Papanek, 1995). Ao focar as tecnologias imateriais, são negligenciados vários dos factores que modelam o mundo, como a geopolítica da reserva de materiais, estragos ambientais, ou mesmo a classe pobre, em expansão, que sobrevive através da economia informal.

Estas pessoas que existem fora do auxílio imediato do desenvolvimento demonstram uma característica instintiva de humanidade com a sua habilidade para sobreviver em condições terríveis – a utilização de quaisquer recursos que consigam encontrar e a sua transformação através do design em elementos úteis, por vezes até vitais, para o seu quotidiano.

É, portanto, muito importante valorizar o Design Anónimo como referência no processo criativo de Design, pois interessa saber de onde vêem as coisas, qual a necessidade, situação ou realidade que esteve na sua origem. Ou seja, é crucial num mundo cada vez mais utilitarista ser possível tornar o Design Anónimo inspirador de novos projectos, tendências, visões e perspectivas.

Segundo Gert Selle, “a história do Design acontece sobretudo através do Design Anónimo e dos seus usos, mas não é apreendida.”1 O autor afirma que se a vida quotidiana é um conjunto inestimável e contínuo de ocorrências de Design Anónimo, é indispensável colocar a questão sobre como é que a funcionalidade nos artefactos é implementada de forma mais natural em situações onde os designers menos interferem, e porque é que este conhecimento não é utilizado.

Deste modo, no que se refere à Dissertação, o texto teórico versa numa primeira instância sobre a designação Design Anónimo, ao que se segue uma abordagem das diversas áreas que contribuem para circunscrever as características que, no final, permitem entender a importância e influência que, muitas vezes, passa despercebida na criação de artefactos na actualidade, fazendo, assim, uma perspectiva histórica, necessariamente resumido, contudo, fortemente intuitiva.

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1 (tradução livre) cf. U. Brandes; S. Stich, et M. Wender; Design by Use (Birkhäuser; 2009)

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